Elabore um projeto Pós-Crisma para trabalhar a permanência dos jovens na paróquia

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Conheça o Projeto Pós-Crisma criado pela Arquidiocese de Maringá para os adolescentes crismados

Um dos grandes desafios pastorais que hoje a Igreja enfrenta é a permanência dos adolescentes crismados nas atividades eclesiais. Diante disso, poderíamos nos perguntar:

 

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  1. Onde está a falha?
  2. Nossa catequese está defeituosa?
  3. Que influências a sociedade contemporânea tem sobre esse comportamento?

Ao buscar respostas para tais questionamentos, podemos nos deparar com outra pergunta: será que nós, Igreja, oferecemos alternativas viáveis que respondam às necessidades dos adolescentes crismados?

Após a Crisma, alguns adolescentes, por falta de outras opções, ingressam nos Grupos de Jovens, mas muitas vezes não perseveram, pois os assuntos abordados nesses grupos não correspondem às necessidades e inquietações do adolescente. Essa problemática de adolescentes inseridos em grupos de jovens mais maduros é denominada pela CNBB como “adolescentização dos grupos de jovens” (CNBB, doc. 85, n. 171) e, frente a ela, a Igreja é convidada a propor soluções.

E pensando nessa realidade, a Arquidiocese de Maringá/PR elaborou um projeto denominado “Pós-Crisma – Grupos de Vivência”. Este projeto consiste na criação de uma etapa de evangelização para os adolescentes que foram crismados, a fim de ajudá-los a elaborarem um projeto pessoal de vida e a perseverarem na caminhada cristã, até que por volta dos 18 anos – quando já são considerados jovens –, possam ingressar nos inúmeros grupos de jovens já existentes.

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Por que um projeto para quem já foi crismado?

A partir dessa realidade desafiadora, a implantação do projeto Pós-Crisma se justifica na medida em que:

  1. Eliminar o vazio que há entre o término da catequese da Crisma e o início da juventude é uma atitude urgente e imprescindível. Nesse período, a maioria dos adolescentes se afasta da comunidade cristã e, consequentemente, não se engaja depois em grupos juvenis;
  2. Um Grupo de Vivência nos permite criar, junto com os crismados, um espaço que atenda às suas necessidades de partilha, crescimento e amadurecimento;
  3. Nesse espaço, podemos ajudar os adolescentes a elaborarem um projeto de vida, oferecendo-lhes condições para pensarem sobre todas as dimensões da vida humana;
  4. Fazer a experiência de Grupos de Vivência dará aos adolescentes a possibilidade de se autoconhecerem enquanto sujeitos na construção de si próprios e das estruturas sociais.

A implantação do projeto

A implantação do projeto Pós-Crisma, como a de qualquer novo projeto, não se dá sem obstáculos. Nosso principal desafio passa pela necessidade de uma mudança de mentalidade, pois muitas vezes, o crismando acredita que o Sacramento da Crisma seja o final de sua caminhada na Igreja e, portanto, não haveria mais necessidade de continuar, depois, o seu compromisso de cristão. Essa concepção – totalmente equivocada, vez que, ao ser crismado, não se chega ao término da vida cristã, mas se completa o processo de iniciação cristã – que predominou (e/ou ainda predomina) no cenário eclesial tem sérias e graves consequências, pois não atrai o adolescente crismado para prosseguir em sua caminhada na Igreja. É o que chamamos de uma mentalidade sacramentalista e não de uma verdadeira vivência cristã.

Por isso, enquanto Igreja, por meio do Projeto Pós-Crisma, queremos oportunizar aos nossos crismados um meio para que essa mentalidade seja superada e que eles percebam o quanto é bom ser membro de um grupo, o quanto é gratificante colocar Deus à frente de nossa vida. Entretanto, também precisamos falar deste projeto com os catequistas, catequizandos, pais, lideranças da paróquia. É preciso que busquemos novas formas de evangelizar, superando a “pastoral de mera conservação” (DAp, n. 370) e propondo novos caminhos para nossos adolescentes crismados.

Novos grupos

Em nossas paróquias, todos os anos, temos um grande número de adolescentes que recebem o Sacramento da Crisma e que precisam ser animados e incentivados a permanecer e a participar intensamente da vida da Igreja. Por isso, é preciso apresentar o projeto Pós-Crisma a eles. É necessário que haja ações práticas que possam envolver os crismados neste novo projeto.

Há diversas iniciativas que podem colaborar com a implantação dos Grupos de Vivência nas paróquias, tais como: gincanas, acampamentos, passeios, noites culturais, “cine pipoca”, teatros, piqueniques, retiros. Essas atividades despertam o interesse de conhecer o Grupo e ajudam a criar vínculos entre os crismados. Posteriormente, o Grupo precisará abordar questões que envolvem diretamente a vida dos adolescentes: família, sexualidade, namoro, vocação, profissão, etc.

É importante enfatizar com os adolescentes que agora eles fazem parte de um novo grupo e que ali terão a oportunidade de aprofundar e refletir sobre questões conflitantes e emergentes de sua vida.

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Partilhando experiências

Na Arquidiocese de Maringá, esse projeto teve início no ano de 2009. Desde então, as paróquias vêm se empenhando na formação de Grupos de Vivência Pós-Crisma. Os grupos são formados, geralmente, com 15 ou 20 participantes, reúnem-se semanalmente e, no início, são auxiliados por uma pessoa “mais experiente” (alguém da comunidade que goste de trabalhar com adolescentes, um catequista, etc) que os ajuda a preparar e a conduzir os encontros.

Temos consciência de que o Projeto Pós-Crisma não resolve todos os problemas relacionados à evasão dos crismados da Igreja, mas ao menos em nossa realidade, temos amenizado essa situação e garantido que boa parte dos crismandos permaneçam – agora como crismados – firmes e perseverantes na vida eclesial.

Que Deus nos dê forças para que tenhamos a coragem de nos lançar para o novo que se nos apresenta. Que acreditemos na força, na fé, na alegria, na vibração e no entusiasmo que há em nossos adolescentes.

 

Peregrinação Paulo Gil

 

Pe. Sandro Ferreira é Mestre em Teologia pela PUCPR. Pároco na Paróquia Santo Antônio de Pádua e assessor do Projeto Pós-Crisma na Arquidiocese de Maringá/PR.
Contato: sandro1ferreira@yahoo.com.br
Fonte: Revista Paróquias
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