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Você sabe o que é a Suma Teológica?

por Redação
Você sabe o que é a Suma Teológica?
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A obra básica de São Tomás de Aquino, conhecida como Suma Teológica é dividida em três partes que tratam de Deus, Homem e Cristo (ou o Deus-Homem)

A Suma Teológica é o título da obra básica de São Tomás de Aquino, frade, teólogo e santo da Igreja Católica, um corpo de doutrina que se constitui numa das bases da dogmática do catolicismo e considerada uma das principais obras filosóficas da escolástica.

 

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É nesse escrito que são encontradas as Cinco Vias que Provam a Existência de Deus. A obra foi escrita entre os anos de 1266 a 1273 e nela, Aquino trata da natureza de Deus, das questões morais e da natureza do homem.

A Suma Teológica é dividida em 3 partes, onde se encontram 512 questões. Cada questão tem perguntas individuais. Estas representam os 2669 capítulos onde estão contidas 1,5 milhões de palavras, 1,5 vezes mais que todas as palavras de Aristóteles (1 milhão), o dobro de todas as palavras conhecidas de Platão.

Essas 3 partes podem ser consideradas como tratando de Deus, Homem e Cristo (ou o Deus-Homem). A primeira e a segunda partes são inteiramente obra de Tomás de Aquino; apenas as primeiras 90 questões da terceira parte são dele. O final foi abortado por sua morte, e o restante existente, o Suplemento, é uma compilação do século 14 a partir do comentário de Aquino sobre as Sentenças de Peter Lombard.

“O Céu visto da Terra”

De acordo com as palavras proferidas pelo Papa Pio XI , “A Suma Teológica é o céu visto da terra” (in: Alocução de 12 de dezembro de 1924 no colégio Angelicum de Roma), ou que “A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: ide a Tomás de Aquino” (in: Studiorum Ducem).

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Quem foi São Tomás de Aquino?

Ao lado de Santo Agostinho, Tomás de Aquino é comumente referido como um dos maiores teólogos da Idade Média. Além de ter sido canonizado em 1323 pelo papa João XXII, mais tarde recebeu os títulos de “Doutor Angélico” e de “Doutor da Igreja” pelo papa, também dominicano, Pio V, em 1568. Tais considerações podem levar-nos, descuidadamente, a pensar a personagem de Tomás como uma figura, se não de unanimidade, ao menos como uma autoridade intelectual ou espiritual do seu tempo. No entanto, é importante notar que, se por um lado Tomás foi enaltecido e exaltado entre os seus pares, seja em vida ou depois disso, através do elogio da sua memória, por outro lado, seus escritos nunca deixaram de ser alvo de polêmica, ao mesmo tempo em que sua pessoa também não esteve imune – tanto enquanto viveu quanto após a sua morte – a críticas e ataques.

Tomás nasceu em 1224 ou em 1225 no condado de Aquino. Seguindo o costume da nobreza da época, sendo filho mais novo, foi desde cedo dedicado à vida religiosa. Iniciado na regra beneditina no mosteiro de Monte Cassino, por volta dos 14 ou 15 anos foi para Nápoles e lá aprofundou seus estudos: centro de efervescência cultural, foi em terras napolitanas que teve seu primeiro contato com Aristóteles, influência que levaria por toda a vida.

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Enquanto isso, em Paris, a leitura de Aristóteles ainda era proibida (limitações que não eram necessariamente respeitadas). Também foi em Nápoles que teve contato pela primeira vez com a Ordem dos Pregadores e por volta dos 20 anos recebeu o hábito dominicano. A família de Tomás não ficaria alheia à escolha do filho: quando é enviado para estudar em Paris, dois irmãos de Tomás, a pedido da mãe, interceptam o caminho do jovem e levam-no para casa, em Rocasseca. Passa aproximadamente um ano trancafiado.

O esforço mostra-se inútil e em 1245 é libertado e segue para Paris, lá encontrando Alberto Magno que, naquele momento era mestre dos estudos da Ordem. Junto a Alberto, foi para Colônia, onde recebe o apelido de “boi mudo da Sicília”, que também o marcaria para sempre, o que aludia não só ao seu tamanho físico, mas também à sua natureza introspectiva. Ao longo da década de 1250 volta para Paris e é nomeado para ensinar na Universidade. Ao redor de 1265, sob orientação da Ordem, é enviado para dirigir um studium em Orvieto. Em 1266 o teólogo começa a escrever a Suma Teológica.

A filosofia de São Tomás de Aquino e a Suma Teológica

Uma de suas ideias centrais é a rejeição do absoluto antagonismo entre a razão e a fé. Para Aquino, existiriam as “verdades da fé”, atingíveis apenas por meio da revelação cristã, às quais não poderemos chegar através da razão. Porém, nem todas as verdades seriam alcançadas desse modo, existindo também as “verdades naturais teológicas”. Sendo a razão obra de Deus, poderíamos alcançar essas verdades tanto pela fé como pela razão. A fé e a razão seriam, muitas vezes, rios que desembocam num mesmo oceano.

 

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Em sua Suma Teológica, o filósofo apresenta cinco vias para demonstrar a existência de Deus, ancoradas na filosofia aristotélica:

  1. O primeiro argumento, oriundo da Física de Aristóteles, crê que, se tudo que move é movido por algo, não pode ser admitida uma regressão ao infinito, devendo existir um primeiro motor. Deus, assim, é o Primeiro Motor.
  2. O segundo argumento, oriundo da Metafísica de Aristóteles, defende a ideia de que, se perguntássemos a qualquer fenômeno do mundo sua causa e continuássemos sucessivamente perguntando as “causas de suas causas”, em todos os casos chegaríamos a Deus.
  3. O terceiro argumento, baseado nas noções de necessidade e contingência de Aristóteles, acredita que, se tudo na natureza fosse contingente, passageiro, é preciso que algo do que existe seja perene. Deus é o primeiro ser, origem de toda necessidade.
  4. O quarto argumento, inspirado na Metafísica de Aristóteles, pensa que, se todas as coisas na natureza têm uma qualidade, em maior ou menor grau (tamanho, força etc.), é preciso um parâmetro, a perfeição, que é Deus, portador de todos os atributos e qualidades em máximo grau.
  5. O quinto argumento pensa que se, como observa Aristóteles, a natureza possui um propósito, deve haver uma finalidade para toda a criação, caso contrário o universo não tenderia para o mesmo fim ou resultado. A causa inteligente do universo é Deus.

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No campo da política, São Tomás de Aquino dividiu as leis em lei natural (visando a preservar a vida), lei positiva (estabelecida pelo homem, visando a preservar a sociedade) e lei divina (que conduz o homem à vida cristã e ao paraíso, guiando as outras leis). Para Aquino, como para Aristóteles, o homem é um animal social e político. A família é a primeira associação, e o Estado, sua ampliação e continuação. O Estado, assim, deve existir, desde que subordinado, no que diz respeito à religião e à moral, à Igreja, a qual visa ao bem eterno das almas. Essa foi a concepção dominante da Igreja Católica, que seria depois combatida por Maquiavel.

Por Redação Catequistas Brasil

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