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QUERIGMA O CORAÇÃO DA CATEQUESE

por Redação

Descubra o que é o querigma e por que ele deve ser o centro da catequese e da evangelização, despertando um encontro vivo com Jesus Cristo.

Voltamos a descobrir que também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou querigma, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial. O querigma é trinitário. É o fogo do Espírito que se dá sob a forma de línguas e nos faz crer em Jesus Cristo, que, com a sua morte e ressurreição, nos revela e comunica a misericórdia infinita do Pai.

Há termos que ouvimos com frequência em nossa ação catequética, e que são fundamentais para a execução e a didática da evangelização com nossos catequizandos. Da mesma forma, muitos destes termos tão presentes ainda não são compreendidos por todos, e por isso é sempre muito importante recordá-los, para que, compreendendo-os, possamos fazer deles instrumentos eficazes para a caminhada. A catequese parte do querigma! Precisamos desenvolver uma catequese toda querigmática. Mas o que é querigma? O que isso significa na prática?

O kerygma é uma palavra grega que significa basicamente a mensagem importante que precisa ser anunciada. A origem desse termo está relacionada aos antigos mensageiros, chamados “quérix”, que costumavam percorrer os reinos antigos divulgando notícias importantes, especialmente aquelas relacionadas aos reis e à vida no palácio. No Novo Testamento, é usada para falar sobre a mensagem central da fé cristã, ou seja, sobre Jesus Cristo e o que Ele veio ensinar.

Então, quando falamos de Querigma, estamos nos referindo à mensagem fundamental do cristianismo, que é anunciada e compartilhada com outras pessoas.

A catequese se baseia no querigma, a mensagem central do cristianismo, que é o anúncio do Evangelho, o amor redentor de Jesus e o convite à conversão. Ela busca não só ensinar sobre a fé, mas também promover um encontro pessoal com Cristo.

Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo… Assim repetiu com veemência por anos a Igreja no Brasil, como a premissa de seu objetivo geral na ação evangelizadora. É sempre de Jesus que devemos partir, em tudo, sobretudo na Catequese.

O centro do primeiro anúncio (querigma) é a pessoa de Jesus, proclamando o Reino como uma nova e definitiva intervenção de Deus que salva com um poder superior àquele que utilizou na criação do mundo. Essa Salvação “é o grande dom de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser por Ele conhecido, de o ver e se entregar a Ele” (EN 9; DGC 101). Transmitindo a mensagem do Reino, a catequese a desenvolve, aprofunda e mostra suas repercussões para as pessoas e para o mundo (cf. CT 25).

O querigma é o primeiro anúncio do Evangelho, revelando o amor de Deus ao entregar seu Filho. É também o primeiro anúncio da Verdade àqueles que, tendo sido batizados ou não, já tendo ouvido falar de Jesus ou não, já tenham ou não lido ou assistido algo, até já tenham ou não frequentado a Missa, mas que ainda não tenham sido tocados por esta Verdade. É o anúncio fundamental, inicial, transformador, de onde derivam todos os outros temas, encontros, reflexões e dinâmicas. É a Boa Notícia que desperta o amor por Cristo, a adesão a Ele, o desejo de segui-lo. É o anúncio que traz vida nova, fé e a força do alto que procede do Espírito Santo.

De fato, a verdadeira evangelização começa com o querigma, seguido pela catequese em si mesma, que ensina as verdades e promove a adesão contínua ao projeto de Jesus que fora apresentado no próprio querigma. Embora interdependentes, o querigma e a catequese são distintos e essenciais para seguir Jesus, resultando no verdadeiro espírito missionário da Igreja. Realmente, no querigma “o sujeito da ação é o Senhor Jesus que se manifesta no testemunho de quem o anuncia”, que faz arder os corações, que abre os olhos dos catequizandos e que com eles partilha sua vida, de modo que digam: “Fica conosco, Senhor!” (Lc 24,29).

Ou seja, uma boa catequese não parte de um recontar de fatos passados, como uma ordem cronológica da História da Salvação, tendo os primeiros encontros sobre a criação, passando pelo pecado original, os patriarcas, reis e profetas, para só depois chegar ao Novo Testamento e aí surgir a figura de Jesus. Não! Ele é o centro e a mensagem já do primeiro encontro, já desde as boas-vindas, porque estar na catequese é, em princípio, responder ao chamado de Jesus para estar com Ele, aprender mais o modo de segui-lo, de estabelecer uma amizade com Ele e, na comunidade, uma amizade com aqueles que também são amigos de Jesus.

O querigma, portanto, proclamado por catequistas maduros em sua missão, aborda as questões fundamentais do ser humano e ilumina o início de uma nova jornada de fé; partimos de Jesus! O querigma é sim um dom contínuo que orienta cada passo subsequente, oferecendo uma visão de Jesus Cristo e despertando o desejo de comunhão com Ele e com seus seguidores, respondendo às inquietações profundas e conduzindo a um encontro transformador.

Com efeito, o Catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto “a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça” (cf. 1Pd 3,15).

Vejamos bem: no início da Igreja, São Paulo já interpelava as comunidades: “Como invocá-lo, sem antes crer nele? E como crer, sem antes ter ouvido falar dele? E como ouvir, sem alguém que pregue?… Logo, a fé vem da pregação e a pregação se faz pela palavra de Cristo” (Rm 10,14.17). Isto porque Cristo veio para anunciar essa mensagem, e não para estabelecer um sistema de pensamento ou normas éticas, e ainda instruiu seus discípulos a pregar o Evangelho a todas as nações, fazendo novos discípulos. É daí que parte a evangelização. É daí que deve partir a catequese.

Nas palavras de São Paulo VI:

Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados. […] Dar a conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho àqueles que não os conhecem é precisamente, a partir da manhã do Pentecostes, o programa fundamental que a Igreja assumiu como algo recebido do seu Fundador.

Dessa forma, faz-se urgente, dentro de nosso exercício didático de conduzir e construir a catequese, a necessidade de uma identidade querigmática de catequese, centrada no anúncio do querigma como o núcleo essencial da fé cristã, e como uma resposta ao chamado da Igreja para um renovado encontro com Cristo. Esta catequese querigmática que não apenas transmite conhecimento, mas também busca provocar um encontro pessoal e transformador com o Senhor. Para isso, convém antes de mais nada promover na prática a redescoberta do querigma, a boa nova do amor de Deus, da morte e ressurreição de Jesus, e do convite à conversão e ao discipulado. E os catequistas devem estar profundamente imersos nessa mensagem, vivendo-a e testemunhando-a em suas próprias vidas.

Também deve-se programar a formação contínua dos catequistas; eles precisam ser formados teológica e pastoralmente para comunicar o querigma de forma viva e envolvente. Construir uma catequese querigmática é um desafio e um convite a viver a fé de maneira mais profunda e autêntica. Ao centrar-se no querigma e criar um ambiente acolhedor e envolvente, formamos discípulos que não apenas conhecem a fé, mas que também a vivem e a compartilham com alegria. A catequese querigmática torna-se, então, um caminho para o encontro pessoal com o Senhor que transforma vidas e comunidades. E se exercitarmos esta prática e esta didática de sempre partir de Jesus, de iniciar a caminhada com o querigma, aí então, catequistas e catequizandos, poderão dizer com propriedade o mesmo testemunho escrito por nossos pastores:

Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria.

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Catequese Mistagógica

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Por Douglas Palmeira / Redação – Catequistas Brasil

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