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Sentar-se à mesa: o sinal da Páscoa
O ciclo da Páscoa, que teve início na Quarta-feira de Cinzas, dando abertura à Quaresma, perdurará até a Solenidade de Pentecostes

É Páscoa! O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia!

E por cinquenta dias, a Igreja celebra essa novidade sublime durante o Tempo Pascal. O ciclo da Páscoa, que teve início na Quarta-feira de Cinzas, dando abertura à Quaresma, perdurará até a Solenidade de Pentecostes.

O Ano Litúrgico surge, assim, como catequista da comunidade de fé, conduzindo os filhos e filhas da Igreja ao encontro com Cristo ressuscitado.

Ajudados pela Quaresma, os fiéis apresentam-se diante do altar de coração contrito, arrependidos de suas falhas e bem dispostos a uma caminhada nova. O Tríduo Pascal insere a comunidade na festa da vida nova.

A Páscoa: o que ensinar para as novas gerações?

Na Quinta-feira Santa a comunidade cristã ouve a narrativa da instituição da páscoa da Primeira Aliança: “Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem’ do Senhor!” (Ex 12,7-8.11).

Por ocasião da Páscoa, cada família deveria imolar um cordeiro, ou cabrito, de acordo com o número de comensais. O alimento não poderia ser desperdiçado. Era preciso calcular e, mais que isso, partilhar o cordeiro imolado com os vizinhos.

Portanto, já na Primeira Aliança, a Páscoa não é uma festa para si, para ostentar o melhor cordeiro. Mas sim, uma celebração que marcaria o momento de “passagem” do Senhor que “faz justiça sobre todos os deuses do Egito” (Ex 12,12).

E o que são os deuses do Egito? São o lucro, o poder, o egoísmo.

O povo de Deus foi feito escravo no Egito. E naquela terra não tinha dignidade, pois vivia em função de manter o sistema de opressão, de exploração e de injustiça.

Por isso que a “Passagem” do Senhor deve ser celebrada como instituição perpétua (Ex 12,14), pois todas as gerações precisam conhecer a bondade de Deus Criador. A partir daquela Páscoa, de geração em geração, o povo se recorda de seu Deus que é também Libertador.

E assim, em nossos dias, é preciso identificar quais são os sistemas opressores que precisam ser superados com nossa coragem e nossa fé.


Celebrar a Páscoa é sinal de resistência

O que os Egitos de hoje estão fazendo ao nosso povo? Quem são os Faraós de nossos tempos? Quais os sinais de escravidão, mentiras e desigualdades que nos tiram a dignidade, hoje?

A Vigília Pascal, mãe de todas as celebrações e de todas as vigílias da Igreja, inicia com a bênção do fogo novo. Mas, por quê o fogo? O que ele nos ensina?

Em todas as culturas, o fogo é símbolo de transformação. Nas grandes religiões, o fogo é sinal de mudança de vida. É pela coluna de fogo – o Círio Pascal – que o templo cristão recebe nova luz após o dia de luto que marcou o Sábado Santo.

Com o fogo novo, os fiéis acendem suas velas, tochas e lamparinas para entrarem nas igrejas e catedrais, e cantarem: “Eis a luz de Cristo! Demos graças a Deus!”

E será com a luz do Ressuscitado que cada membro da Igreja, especialmente os neófitos – que receberam o Batismo na Vigília Pascal – é chamado a vencer os sinais de morte do mundo. De modo particular, nos ambientes onde vive.

A Páscoa de Jesus Cristo não pode ficar na memória e dentro das paredes do templo. Com Jesus Ressuscitado, a Igreja é porta-voz da vida e da esperança. É preciso anunciar de novo que a coragem e a alegria são os distintivos dos seguidores de Jesus de Nazaré.

A mesa: sinal de escolha pela vida nova

Apesar de a sociedade destacar as festas de final de ano como o momento de confraternização e de partilha - e é bom que isto aconteça sempre! -, a fé cristã tem outro momento no calendário para exaltar a mesa. É a Páscoa!

Foi ao redor da mesa que nossos pais e mães na fé imolaram o cordeiro, partilhando com os vizinhos, para celebrar a Passagem do Senhor, livrando-os do Egito.

Foi ao redor da mesa que Jesus de Nazaré entregou aos discípulos o seu Mandamento Novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34).

Ao redor da mesa estavam os diferentes: homens comuns, alguns pescadores, um cobrador de imposto, um zelote (político) e aquele que foi o traidor de Jesus.

Ao redor da mesa estavam as mulheres, que em Jesus encontraram dignidade, espaço de opinião e, sobretudo, ofereciam seus pertences para financiar o grupo.

É Páscoa sempre que estamos ao redor da mesa com os diferentes de nós. Esta é mensagem concreta da passagem, da superação das vaidades. É preciso que aconteça a “passagem” em nosso interior. Que os nossos egoísmos cedam lugar à partilha, ao congraçamento, à pertença.

Ao redor da mesa, especialmente nestes dias de guerra, precisamos sentar para concretizar a paz.

Façamos Páscoa com Cristo! Ele está vivo e ainda hoje passa, transforma e liberta.[1]

A Páscoa é sinal de resistência. A Páscoa é grito de esperança.

Deixemos que Páscoa aconteça em nossos corações, não com a nossa medida egoísta. Mas no vigor do Espírito que renova a face de toda a terra.

Ariél Philippi Machado é 

Catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, 

Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã. 


[1] Papa Francisco. Homilia de Páscoa (16/04/2022).

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A renovação da catequese, que deverá contribuir com a Nova Evangelização, passa pela formação de catequistas que busquem a primazia da beleza, isto é, da preparação oportuna em vista de um encontro catequético com sintonia de métodos, conteúdo, estratégias e recursos.

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