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Renovar a catequese: a via da beleza e a dimensão do lúdico
A renovação da catequese, que deverá contribuir com a Nova Evangelização, passa pela formação de catequistas que busquem a primazia da beleza, isto é, da preparação oportuna em vista de um encontro catequético com sintonia de métodos, conteúdo, estratégias e recursos.

Na edição do mês de fevereiro, com o tema O lúdico na catequese: a leveza de ser discípulo de Jesus, refletimos sobre a tarefa para a Igreja a ser cumprida no decurso do Novo Milênio: refletir, planejar e agir em vista da Nova Evangelização. Sobre este tema foi realizado o Sínodo dos Bispos em 2012, tendo como consequência a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Evangelii Gaudium, em 2013.

As reflexões do Sínodo e a redação textual da Exortação confirmam a necessidade de mudança no modo de agir da Igreja, enquanto caminha neste mundo.[1] Textualmente, a Exortação aponta para a necessidade da conversão pastoral (EG, n. 25-26), isto é, que o jeito de realizar as inúmeras atividades seja sempre para revelar a face de Jesus, Bom Pastor, que guia o rebanho.

Tal conversão pastoral deverá gerar nova eclesiologia, ou seja, novo sentido de ser comunidade de fé, em caminhada sinodal, revelando a comunhão e a unidade que emanam do mistério da Santíssima Trindade.

O paradigma central da fé cristã, o mistério de Deus Uno e Trino, é resposta para as inúmeras divisões, guerras, competições, vaidades, orgulhos e egoísmos que fazem padecer a sociedade em geral, e corroem as estruturas de gestão de nossas comunidades de fé.

A Trindade é exemplo de doação, entrega, amor-oblação. No seio da Trindade não há competição, mas colaboração, participação, corresponsabilidade.

A catequese, como processo sistemático de formação na fé, precisa voltar-se para o mistério da Trindade para revitalizar os métodos e instrumentos que levam a cabo o encontro catequético em si, lugar de partilha de vida e iluminação dos passos à luz da fé.

A dimensão humana do lúdico e a Via da Beleza

O ser humano cresce e se desenvolve inserido na arte de se comunicar. Esta comunicação acontece através das palavras, sinais, gestos e símbolos diversos. É próprio do ser humano expressar seus sentimentos através de sinais e atitudes, como por exemplo um abraço, uma visita, um presente. Assim, dizemos que o corpo inteiro é um modo de comunicação. E é possível dizer que todas as expressões que usamos para nos comunicar brotam de uma dimensão lúdica que, às vezes, nem percebemos ou valorizamos por completo.[2]

Usando a dimensão física do corpo como exemplo, podemos afirmar que a dimensão da fé, que é invisível, também depende de sinais, gestos e símbolos para estabelecer a comunicação da pessoa humana com o mistério divino.

A renovação da catequese, que deverá contribuir com a Nova Evangelização, passa pela formação de catequistas que busquem a primazia da beleza, isto é, da preparação oportuna em vista de um encontro catequético com sintonia de métodos, conteúdo, estratégias e recursos.

“O encontro catequético é um anúncio da Palavra e está centrado nela, mas precisa sempre de uma ambientação adequada e de uma motivação atraente, do uso de símbolos eloquentes, da sua inserção num amplo processo de crescimento e da integração de todas as dimensões da pessoa num caminho comunitário de escuta e resposta” (EG, n. 166).

E para que o anúncio da Palavra possa alcançar as novas gerações, que chegam em maior número crescendo e se desenvolvendo em meio à cultura digital,[3] a Igreja, em seus documentos e formações mais recentes, resgata a Via da Beleza, como recurso e método para a transmissão da fé.

“É desejável que cada Igreja particular incentive o uso das artes na sua obra evangelizadora, em continuidade com a riqueza do passado, mas também na vastidão das suas múltiplas expressões atuais, a fim de transmitir a fé numa nova ‘linguagem parabólica’” (EG, n. 167).

Sobre a riqueza do passado recorda-se os grandes vitrais das catedrais e mosteiros, obras de arte em igrejas e espaços públicos e inúmeras canções que moldaram a fé em seus contextos socioculturais.

E as múltiplas expressões atuais englobam também a música e a pintura, mas também a dança, o teatro, o jogo, a contação de história, dentre outras.


Propostas lúdicas com jogos para a catequese

A terceira edição do Catequistas Brasil, 11 a 13 de fevereiro de 2022, contou com oficinas de jogos para a catequese, tanto em nível de formação de catequistas quanto para processos de catequese com crianças e adolescentes. Foram apresentados e desenvolvidos com participantes dois jogos de tabuleiro elaborados como recursos e ferramentas para dinamizar o itinerário catequético de aprofundamento da fé.

A fonte de inspiração foram os jogos de tabuleiro modernos, um hobby que está crescendo no mundo todo,[4] pois oferece uma forma de diversão que aproxima as pessoas e as convida a passar um tempo convivendo “olho no olho”, longe das telas.

Ao pensar em jogos para catequese, não se buscou uma simples adaptação de jogos já existentes, mas sim o desenvolvimento de jogos pedagógicos pensados de forma integrada ao caminho de iniciação à vida cristã, de modo que, as temáticas sejam trabalhadas com ajuda do recurso (o jogo) disponível, resultando num processo de aprendizado divertido e atraente.

A iniciativa de apresentar os jogos como ferramenta para a formação de catequistas no Catequistas Brasil 2022 foi da Rede Lumen de Catequese, onde trabalhou sugestões de utilização destas ferramentas lúdicas na capacitação e aprofundamento bíblico de catequistas e demais lideranças.

Tal iniciativa só foi possível por meio de parceria com a “Pensamento Lúdico”, editora especializada em jogos pedagógicos para catequese. A editora tem se dedicado à criação, produção e distribuição destes jogos. A Pensamento Lúdico nasceu em Santa Catarina, como iniciativa de catequistas apaixonados por jogos de tabuleiro, que desenvolveram novos jogos pensados especialmente para a catequese, como ferramenta que possa ser utilizada na dinamização do itinerário catequético.

Em um dos grupos de catequese, após a aplicação dos jogos que estavam sendo testados, uma catequista deu o seguinte depoimento: “Foi incrível. Durante os encontros de catequese estes adolescentes sempre estão muito calados. Porém, enquanto jogavam, eles não paravam de falar. Participavam ativamente do jogo e conversavam em equipe para buscar a solução do desafio proposto pelo jogo”.

A proposta foi recebida com muito entusiasmo pelos participantes do Catequistas Brasil 2022. Percebe-se uma grande procura por novas possibilidades de dinamizar a catequese, e as ferramentas lúdicas são um caminho necessário para avançar nessa direção.

Catequistas de todo o Brasil que participaram das oficinas e que tiveram contato com estes jogos partilharam experiências lúdicas que já são desenvolvidas na prática. Muitos catequistas, por iniciativa própria, desenvolvem eles próprios os seus jogos para trabalhar com seus grupos de catequese. Em geral, são adaptações de jogos conhecidos, como jogo da memória, dominó, bingo e jogos de perguntas e respostas. Em outras palavras: o lúdico já está presente na vida dos grupos de catequese, pois é percebido como instrumento que cria conexão entre catequista e catequizandos, e entre os catequizandos e processo catequético.

Iniciativas como essa tendem a se multiplicar nos próximos anos, pois se de um lado há crianças, adolescentes, jovens e adultos que querem vivenciar experiências significativas de fé, do outro lado há catequistas e outras lideranças comprometidas em possibilitar que o caminho de iniciação cristã seja alegre e transformador, assim como é o rosto de Jesus Cristo.

Com grande expectativa, que o Catequistas Brasil 2023 possa receber novas estratégias, ferramentas e recursos para integrar expressões lúdicas no itinerário catequético. Estaremos aguardando você em Aparecida, nos dias 03 a 05 de fevereiro de 2023. Até lá.

Ariél Philippi Machado é Catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, Teólogo e Especialista em Catequese - Iniciação à Vida Cristã). 

Rodrigo da Silva Soares é 

Catequista na Diocese de Joaçaba (SC), Especialista em Juventude, Religião e Cidadania e desenvolvedor de jogos de tabuleiro para catequese na editora Pensamento Lúdico . 

[1] Oração Eucarística III.

[2] O Belo, o Lúdico e o Místico na Catequese, CNBB Regional Leste 2, 2012.

[3] Diretório para a Catequese, n. 359-360.

[4] https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2021/05/procura-por-brinquedos-educativos-e-jogos-de-tabuleiro-cresce-na-pandemia.shtml

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