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O lúdico na catequese: a leveza de ser discípulo de Jesus
A tarefa mais importante da catequese, para cumprir com a Nova Evangelização, é apresentar Jesus Cristo aos homens e mulheres, jovens e idosos, crianças e adolescentes, com a missão de formar comunidade

Entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, realizou-se em Roma, a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Destacam-se desta Assembleia dois documentos importantes para a catequese: a Mensagem Final ao Povo de Deus e a Exortação Apostólica pós-sinodal, Evangelii Gaudium.

A catequese é responsável pela renovação missionária em nossas comunidades e paróquias. É urgente passar de um modo de catequese sacramentalista para o entendimento de uma catequese a serviço da formação permanente e integral das pessoas. Catequistas e lideranças precisam se capacitar para assimilar o que disseram os Bispos na Mensagem Final citada acima:

“Guiar os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus, ao encontro com Ele, é uma urgência em todas as regiões do mundo, de antiga e de recente evangelização. Não se trata de começar tudo do início, mas de se inserir no longo caminho de proclamação do Evangelho que, desde os primeiros séculos da era cristã até aos nossos dias, percorreu a história e edificou comunidades de crentes em todas as partes do mundo”.[1]

A tarefa mais importante da catequese, para cumprir com a Nova Evangelização, é apresentar Jesus Cristo aos homens e mulheres, jovens e idosos, crianças e adolescentes, com a missão de formar comunidade.

A Mensagem Final dos Bispos deixou para todos nós um alerta: “Os mudados cenários sociais, culturais, econômicos, políticos e religiosos chamam-nos a algo novo: a viver de modo renovado a nossa experiência comunitária de fé e o anúncio, mediante uma evangelização nova no seu fervor, nos seus métodos, nas suas expressões”.[2]

A novidade da fé cristã ao mundo é a Revelação de Deus Trindade, modelo de comunhão, serviço e doação mútua. Este é a grande verdade da fé cristã que todo catequista precisa assimilar, testemunhar e anunciar: nosso Deus é comunidade e nos chama a viver em comunidade.

O Pai Nosso nos convoca a partilhar o Pão Nosso. Somos irmãos e irmãs. A catequese tem como ideal a vida fraterna (At 2,42-47).


Catequista: mensageiro de Cristo

Também como herança do Sínodo para a Nova Evangelização, temos a Exortação Apostólica Alegria do Evangelho. Nela, o Papa Francisco deixa um recado para cada fiel, e aqui, em especial, para cada catequista:

“Convido a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele. Quem arrisca, o Senhor não desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já o aguardava de braços abertos a sua chegada” (EG, n. 3).

Quando cada catequista arrisca esse passo a mais na direção de Jesus, descobre o vigor e a leveza da vida daquele jovem Nazareno que encantou as pessoas, sempre repleto de amor, ternura e esperança em suas falas e atitudes.

Todo processo de catequese precisa alegre, esperançoso, entusiasta. Uma vez que, a partir do encontro “com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (EG, n. 1), esta mensagem não pode ficar embrulhada em embalagens de discursos, conteúdos e ritualismos.

Por isso, cabe-nos o desafio de transmitir essa mensagem com a própria vida. Conhecer esse Cristo que traz alegria e leveza ao discípulo missionário resulta no desejo de transmiti-lo às pessoas, formando comunidade de seguidores. "O seguimento de Jesus não pode ser compreendido como um peso a mais para a vida; ao contrário, é o que torna mais suave a dureza da vida”.[3]

O encontro de catequese: canal para a mensagem

Se em outros tempos, os encontros de catequese eram carregados de doutrina ou conteúdos para “decorar”, agora são convertidos em espaços onde a mensagem – que é o próprio Jesus Cristo – ressoe como a “Boa Nova”, de forma que os catequizandos possam reconhecer o Evangelho conectado à suas vidas.

E aí entram dois aspectos: o mensageiro e o canal em que esta mensagem é transmitida. Ao final do encontro de catequese se espera que a mensagem seja configurada na vida de cada pessoa envolvida, catequista e catequizandos. Por isso, o esmero e a atenção na organização e condução do encontro é muito importante. O encontro, portanto, não é apenas o local e o momento, mas o espaço onde o Verbo armará outra vez sua tenda para que a vida e a fé se entrelacem.

"O catequista será aquele que procura ser, aos olhos dos catequizandos, uma espécie de 'amostra grátis', de exemplo 'ao vivo' de seguidor de Jesus Cristo”.[4]

Os catequistas têm, então, a missão de inspirar alegria e esperança aos catequizandos, porque experimentam em sua vida a alegria de ter encontrado Jesus Cristo e deixado moldar-se por Ele. Ser catequisa é manifestar a vida, a beleza, a leveza deste encontro singular com Cristo, em cada palavra e cada gesto, fazendo eco das atitudes e ensinamentos de Jesus de Nazaré.

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O lúdico como ferramenta para a Nova Evangelização

Para transmitir essa mensagem dialogando com a realidade dos catequizandos, é importante recorrer à diversas ferramentas que podem ajudar nesse processo. Nesse sentido, é essencial que o lúdico esteja presente nos encontros de catequese, por meio de instrumentos como jogos pedagógicos, teatro, música, pintura e dinâmicas. As estratégias lúdicas não são a finalidade nem o passatempo do encontro, são canais e ferramentas para o mesmo.

O encontro ideal de catequese é aquele quando os catequizandos falam e interagem mais que o catequista. Nesse sentido, as ferramentas lúdicas possibilitam que os catequizandos sejam protagonistas do processo catequético, manifestando sua criatividade e, por meio da curiosidade, possam aprofundar as temáticas que o processo de iniciação à vida cristã apresenta em seu itinerário.

Que nossos catequistas descubram a leveza que existe em acompanha os processos de transmissão da fé com a ajuda de ferramentas que oferecem para a jornada catequética momentos de interação, participação e colaboração mútua que jamais serão esquecidos.

Quem está no caminho de conhecer Jesus Cristo precisa de oportunidades e experiências diferentes, capaz de maravilhar-se com as descobertas neste caminho de fé e vida.

Ariél Philippi Machado é catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, 

Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã.

Rodrigo da Silva Soares é catequista na Diocese de Joaçaba (SC), Especialista em Juventude, Religião e Cidadania e desenvolvedor de jogos de tabuleiro para catequese.


[1] XIII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS. MENSAGEM AO POVO DE DEUS. Disponível em: < https://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20121026_message-synod_po.html >

[2] Idem

[3] O Belo, o Lúdico e o Místico na Catequese, CNBB Regional Leste 2, 2012.

[4] O Belo, o Lúdico e o Místico na Catequese, CNBB Regional Leste 2, 2012.

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